esperar lucratividade ou rentabilidade é uma conta que não vai fechar.
Edilson P. Silva,
de Portugal.
Nos
últimos dias Portugal foi assolado por um dos maiores incêndios florestais de
sua história recente – maior eucaliptal continuo da Europa, com quase 1,0
milhão de ha. -, foram calcinados mais de 50.000 ha (30% do que é incendiado
anualmente), além campos e vilas. Em um primeiro levantamento, mais de 60 cidadãos
europeus morreram e 250 se feriram, sem contar a inestimável flora e fauna
destruída, uma tragédia, um horror.
Mesmo
dispondo dos mais modernos meios de
combate; terrestres e aéreos, compartilhados pela União Europeia; e dos
avançados e eficientes sistemas de previsões meteorológicas, não foi possível
evitar tamanho desastre. Ainda soa o alerta máximo em dezenas de cidades e
vilas para o risco de incêndios, principalmente pelas condições climáticas e precária
gestão do espólio florestal. E o verão ainda nem começou.
A
grande maioria dos comentários, inclusive do Primeiro Ministro João da Costa
leva para um único “abismo”: a gestão das grandes florestas é um desafio inaceitável,
pois é invencível.
Independentemente
dos benefícios econômicos de curto prazo, ao final, será impagável os custos
despendidos com sua manutenção e o ressarcimento dos danos causados por sua longa
existência, sejam por incêndios; pela degradação do solo, da água, da flora e
fauna; e das urbanizações.
Interessante
lembrar que na Era Digital da informática, na qual jaz o Jornal Impresso e o saco de pão, a produção mundial de celulose cresceu mais de 50% em
10 anos.
As
especificações dos produtos madeireiros e celulósicos mudaram, principalmente
pela sensação da tal Pegada Ambiental, mudanças que não foram
previstas quando da concepção dos planos decenais globais de florestamento e
defesa ambiental.
E
é a gestão desse patrimônio ou espólio, a exemplo dos degradados canaviais
brasileiros, que é economicamente viável e impossível.
Hoje,
boa parte dessa massa falimentar está entregueà sorte das mudanças climáticas, dos
interesses econômicos primitivos e dos governos incipientes. É um Grande Paiol de Pólvora, sem pavio e sem para-raios. Gerir isso, e esperar lucratividade ou
rentabilidade é uma conta que não vai fechar.