sexta-feira, 23 de junho de 2017

Gestão Agro Florestal


esperar lucratividade ou rentabilidade é uma conta que não vai fechar.
Edilson P. Silva, de Portugal.

Nos últimos dias Portugal foi assolado por um dos maiores incêndios florestais de sua história recente – maior eucaliptal continuo da Europa, com quase 1,0 milhão de ha. -, foram calcinados mais de 50.000 ha (30% do que é incendiado anualmente), além campos e vilas. Em um primeiro levantamento, mais de 60 cidadãos europeus morreram e 250 se feriram, sem contar a inestimável flora e fauna destruída, uma tragédia, um horror.
Mesmo dispondo dos  mais modernos meios de combate; terrestres e aéreos, compartilhados pela União Europeia; e dos avançados e eficientes sistemas de previsões meteorológicas, não foi possível evitar tamanho desastre. Ainda soa o alerta máximo em dezenas de cidades e vilas para o risco de incêndios, principalmente pelas condições climáticas e precária gestão do espólio florestal. E o verão ainda nem começou.
A grande maioria dos comentários, inclusive do Primeiro Ministro João da Costa leva para um único “abismo”: a gestão das grandes florestas é um desafio inaceitável, pois é invencível.
Independentemente dos benefícios econômicos de curto prazo, ao final, será impagável os custos despendidos com sua manutenção e o ressarcimento dos danos causados por sua longa existência, sejam por incêndios; pela degradação do solo, da água, da flora e fauna; e das urbanizações.
Interessante lembrar que na Era Digital da informática, na qual jaz o Jornal Impresso e o saco de pão, a produção mundial de celulose cresceu mais de 50% em 10 anos.
As especificações dos produtos madeireiros e celulósicos mudaram, principalmente pela sensação da tal Pegada Ambiental, mudanças que não foram previstas quando da concepção dos planos decenais globais de florestamento e defesa ambiental.
E é a gestão desse patrimônio ou espólio, a exemplo dos degradados canaviais brasileiros, que é economicamente viável e impossível.
Hoje, boa parte dessa massa falimentar está entregueà sorte das mudanças climáticas, dos interesses econômicos primitivos e dos governos incipientes. É um Grande Paiol de Pólvora, sem pavio e sem para-raios. Gerir isso, e esperar lucratividade ou rentabilidade é uma conta que não vai  fechar.