Causa-me estranheza o fato de após 25 longos anos, desde a criação do termo “agronegócio” para representar todos os avanços obtidos até aquela data (desde o regime militar e da Revolução Verde) e os desafios a serem enfrentados no futuro.
Na
época não se tratava de traduzir o termo “agribusiness”, pois não tínhamos a o
domínio do nosso sistema já que dependíamos de mais de 80% de insumos
importados.
O
interessante é notar que os expoentes do agronegócio brasileiro que
participaram desse movimento criativo durante o Governo Collor (quando
apareceram e se estabeleceram) ainda
defenderem as mesmas soluções, para os mesmos problemas. E, claro, serem
aplaudidos.
Acompanho
e participo dessas discussões diuturnamente ao longo desse período e posso
afirmar que o nosso agronegócio está cada vez mais agro e menos negócio.
E não pelo fato de não termos desenvolvido tecnologias e produtos que
diminuíssem a nossa dependência de insumos externos, mas pelo fato de AINDA não
termos resolvidos aqueles que estão na porta das nossas cozinhas, sentados
nosso sofá ou estacionados nas nossas
garagens.
Discutir
e esperar dos Poderes Públicos as soluções para os problemas da infra-estrutura
e logística é um hábito dos tempos do Império e, ainda o é em Portugal. Porém,
aqui, por força da Comunidade Européia, a iniciativa privada propôs, a
sociedade aceitou e o governo executou em menos de 20 anos.
No
Brasil nada do que D. Pedro projetou foi concluído nem nunca será. Por que?
Porque é o Governo quem propõe, planeja e executa. Enquanto a sociedade
acredita que suas vaias e aplausos contribuem em alguma coisa.
Ao
falar do “custo cambial” na produção de commodities é ainda mais estranho, pois
não há commodities sem câmbio e, ao que parece, nossos agricultores não foram
alertados sobre isso.